
Movimento Negro Unificado — MNU RJ
Manifestamos nossa solidariedade a Jairo Carioca de Oliveira, nosso filiado, diante da exclusão sofrida pela Escola Psicanalítica da Escuta Periphérica, coordenada por ele, do Movimento de Articulação das Entidades Psicanalíticas Brasileiras.
Jairo é uma voz firme, pública e necessária na denúncia do racismo institucional que atravessa as instituições psicanalíticas brasileiras. Sua fala direta, sem concessões ao conforto da branquitude, tem sido lida como incômoda por aqueles que se acostumaram a aceitar corpos negros apenas quando docilizados, silenciosos ou domesticados pelas formas neoliberais de inclusão. Quando um sujeito negro denuncia a engrenagem racista que estrutura os espaços ditos progressistas, sua crítica é rapidamente convertida em excesso, agressividade ou inadequação. Esse mecanismo não é novo, é parte da própria dialética racista que transforma a denúncia em problema e preserva intacta a violência denunciada.
A exclusão de uma Escola coordenada por pessoas negras não pode ser compreendida como um simples ato administrativo. Ela precisa ser lida em sua dimensão política, racial e institucional. Trata-se de um gesto que revela o quanto determinados espaços ainda toleram a diferença apenas quando ela não desorganiza seus pactos narcísicos, suas hierarquias simbólicas e seus modos tradicionais de autorização.
A escola coordenada por Jairo possui atuação concreta nas periferias do Rio de Janeiro, sustentando uma escuta comprometida com as pautas étnico-raciais, de gênero e com a produção de saberes a partir das margens. Sua construção epistêmica dignifica a produção negra, reconhece a potência clínica e política dos territórios periféricos e confronta a captura neoliberal da equidade, essa operação pela qual instituições se dizem democráticas enquanto continuam reproduzindo práticas de exclusão, silenciamento e controle.
Por isso, reafirmamos nosso apoio a Jairo Carioca de Oliveira e à Escola Psicanalítica da Escuta Periphérica. Defender sua presença é defender uma psicanálise capaz de escutar aquilo que a branquitude institucional insiste em recalcar, que não há ética psicanalítica possível onde a denúncia do racismo é tratada como inconveniência.
Seguiremos ao lado de Jairo, de sua escola e de todos aqueles que fazem da escuta um ato clínico, político e antirracista.
